CREA-AM

Atualizado em 09/01/2020 - 17h12

Morre engenheiro criador de dois aceleradores de partículas brasileiros

No dia 3 de janeiro, a ciência brasileira perdeu o pesquisador Antonio Ricardo Droher Rodrigues

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutor em Física pelo King’s College, University of London, Ricardo Rodrigues era referência na área de aceleradores de partículas. Desenvolveu no Brasil dois síncrotons: o UVX, o primeiro do hemisfério sul, implementado em 1997, e o Sirius, previsto para entrar em funcionamento no final deste ano.

Ambos desenvolvidos no Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), os projetos auxiliam cientistas no estudo da composição e do comportamento de materiais ou moléculas com alta resolução, com base na radiação síncroton, um tipo especial de luz.

O UVX operou até o final de 2019 e teve seu funcionamento encerrado para dar lugar ao sucessor Sirius. A CNPEM estima que mais de 6 mil pesquisadores utilizaram o equipamento em experiências científicas.

O gigante acelerador de partículas Sirius tem 518 m de circunferência e possui 68 mil m² de área construída, sendo 6.500 m³ de concreto especial de baixíssima retração e 900t de aço. São 1 mil km de cabos elétricos e 8 mil pontos de controle de mais de 4 mil computadores.

Terá capacidade de produzir luz síncroton, uma radiação que funciona como raio x e é capaz de analisar rapidamente a estrutura de materiais em escala de átomos e moléculas. O novo equipamento será de 4ª geração, podendo ser comparado ao Max IV, único da categoria que está em funcionamento na Suécia desde 2016.

No setor agrícola, o Sirius ajudará a entender o funcionamento do solo, dos mecanismos de absorção das plantas e do aproveitamento de insumos. Nos estudos sobre energia, será possível desenvolver baterias mais duráveis, seguras, com menor custo e tamanho. Poderá contribuir ainda na pesquisa de rochas, permitindo a redução do custo e o aumento da produção de óleo e gás. A tecnologia também será aliada da medicina, especialmente no estudo do cérebro humano e no desenvolvimento de tratamentos e remédios para enfermidades degenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Criatividade e conhecimento técnico

Ricardo morreu aos 68 anos, acometido por um câncer de pulmão, diagnosticado em meados de 2019. Mesmo doente, seguiu trabalhando e em dezembro passado acompanhou a equipe na geração de corrente suficiente para fazer chegar a luz síncroton pela primeira vez em uma das futuras estações experimentais do Sirius.

O estudioso era casado com Liu Lin, líder do grupo de Física de Aceleradores do LNLS, em Campinas. Deixa três filhos e teve o corpo cremado no sábado (4), em Campinas.

A esposa lembra como foi o começo do projeto, encarado pelo pesquisador como estímulo ao processo criativo. “Quando iniciamos o projeto, ninguém sabia como fazer, era algo desafiador e foi feito do zero – foi o Ricardo que liderou esse começo”, disse Lin, em entrevista à Folha de S.Paulo. “Havia muitas dificuldades técnicas e não havia dinheiro. Mas, como ele dizia, às vezes um pouco de falta de dinheiro – só um pouco, ou tudo acaba – ajuda a despertar a criatividade. Ele incentivava todo mundo. Todos ficávamos com vontade de trabalhar e nos divertíamos – era algo gostoso”, acrescenta a esposa.

A habilidade do engenheiro em  solucionar problemas com originalidade também foi destaque da nota da CNPEM, em que lamentou a perda do líder da Divisão de Engenharia do Laboratório Nacional de Luz Síncroton e coordenador de Aceleradores do Sirius:

“Ricardo Rodrigues tinha a capacidade de unir entusiasmo, criatividade, conhecimento técnico e científico e encontrar soluções inéditas exigidas para construir equipamentos de alta sofisticação tecnológica. Ainda mais importante, era um formador de pessoas. Avesso a formalidades acadêmicas, reconhecido mundialmente como um criativo solucionador de problemas, Ricardo Rodrigues deixa saudades. Sua trajetória servirá de constante inspiração para os que, no Brasil, se dedicam a ciência, tecnologia e inovação.”

 

Equipe de Comunicação do Confea

Fotos: Comunicação CNPEM/LNLS

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